“Cofre” no Ártico guarda a salvação da vida na Terra.
- 14 de nov. de 2015
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No topo de uma montanha no Ártico, em meio aos fortes ventos do Polo Norte, uma porta de concreto leva ao Silo Global de Sementes Svalbard, um local construído para assegurar a sobrevivência de mais de 5 mil espécies de sementes de todos os continentes e que, pode suportar as condições mais pessimistas de um apocalipse.
O local é o maior do mundo na conservação de sementes com essa finalidade, preservando cerca de 90% das sementes de todos os continentes.

A construção
A fundação Bill & Melinda Gates, através de um projeto em parceria com a ONU, financiou o custo de construção do Silo, estimado em cerca de 30 milhões de dólares. Construído no Monte Spitsein, em Svalbard, é uma estrutura inteiramente subterrânea.

O arquipélago de Svalbard situa-se a 1000 km ao norte da Noruega continental, e foi escolhido por ser um lugar a salvo das possíveis alterações climáticas causadas pelo aquecimento global e/ou quaisquer outras causas.

Em 19 de junho de 2006, os primeiros-ministros da Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca e Islândia participaram de uma cerimônia de início das construções, "colocando a primeira pedra".
O silo tem capacidade para abrigar três milhões de sementes. As câmaras estão a -18 °C, e se por alguma razão o sistema elétrico de refrigeração falhar, o montante de gelo e neve que naturalmente recobre o silo – o permafrost – manterá as sementes entre -4 °C e -6 °C.

Como é lá dentro?
Para sabermos como é a exata sensação de estar no silo de sementes, vamos reproduzir o que uma equipe de televisão da BBC relatou quando esteve no local:
“Os primeiros passos nos tiram do vento cortante e nos levam a uma atmosfera de extrema quietude. Um conjunto de capacetes de segurança está esperando para ser usado. Outra porta se abre para um túnel que suavemente desce mais profundamente dentro da montanha. A temperatura é -4ºC e agora estamos no "permafrost" – solo que nunca descongela.
A maior parte do túnel é forrada de concreto, mas mais para dentro as paredes de rocha estão expostas. Nossas vozes começam a ter eco. O conceito do projeto é simples: imaginar tudo o que pode dar errado com as principais lavouras do mundo e assegurar que amostras delas fiquem intocadas aqui. Por isso, a entrada do lugar fica 130 metros acima do nível do mar – uma distância confortavelmente acima das piores projeções do quanto os oceanos podem subir caso haja um derretimento total das calotas polares nos próximos séculos. Ser esculpido na rocha também deve garantir que as sementes sejam imunes à guerra.

Svalbard fica bem distante de qualquer conflito militar, mas digamos que um deles exploda no Ártico – o que não é totalmente inconcebível – e que uma arma aleatória chegue até lá. Em teoria, ela não deveria conseguir passar. Chegamos a outra porta, sobre a qual há uma fina camada de gelo. A temperatura está caindo. Passar por ela nos leva a um lugar chamado "a catedral", uma vasta caverna que dá acesso aos silos de sementes propriamente ditos. Sobre nós estão os canos prateados do sistema de resfriamento e cristais de gelo cintilam nas paredes rochosas.”
Sendo assim, conforme nossa espécie destói o próprio meio em que vive, a ciência tenta de alguma forma zelar por nossa sobrevivência e garantir algumas centenas de anos à frente.









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